As lembranças guardadas nos chips

9 07 2009

Remexendo em minhas matérias dos vestibulares e ensino médio, encontrei um texto um pouco antigo que saiu na Folhateen, mas que cabe ainda para os dias atuais. Reflita.

Um mundo sem memórias

Estamos correndo um grande perigo. Vamos virar uma geração sem memória. Pense bem. Qual foi a última vez que você revelou uma foto? Que ficou arrumando um álbum de fotografia? Que leu uma carta de amor? Quem é que vai se lembrar, no mundo digital, do que aconteceu na semana passada? Nossas memórias estão perdidas entre milhares de pixels e posts simplórios.

Hoje, quando uma foto fica ruim, você deleta. Ou seja, você não tem mais fotos ruins, aquela em que você estava com uma papada ou com um olhar de quem não sabia o que fazer.

A partir desta nova era, quase todas as fotos mostrarão os melhores momentos da humanidade. Mesmo que você esteja chorando, vai ser um choro incrível que você acha que deve ser guardado para a posteridade e publicado num fotolog.

Aquela foto que mostrava que você realmente era uma miserável irá parar no “deleted itens” com todas as suas imperfeições. Você não irá ocupar o seu cartão de memória com isso!

Fotos podem ser rasgadas, mas raramente fazemos isso. Preferimos escondê-las, e com o único objetivo, que elas sejam reencontradas em algum momento. Nuna mais vamos poder ficar rindo das poses horríveis que fizemos.

O mundo ficou mais sem graça.

Sim, o furor tecnológico nos leva a expor nossas vidas em blogs e scraps. Mas são nossas vidas cuidadosamente editadas por nós, protagonistas narcisistas. Não temos mais cartas de amor. Sim, existem os e-mails. Mas um dia seu computador dará pau e eles estarão perdidos. Adeus caixas com nossas memórias e bilhetes amassados.

Na época das cartas, você podia relê-las e se lembrar daquele pé na bunda que tomou. Sim, você pode guardar suas histórias de amor e desilusão num chip. Mas não vai ter aquele papel com escrita borrada porque você leu chorando.

O mundo ficou menos triste.

Isso sem falar dos aditivos das baladas, que fazem com que as pessoas façam de tudo e esqueçam tudo.

E naquele dia que você tomou umas a mais e esqueceu os acontecimentos da noite anterior? Bom, aí você pode esquecer os micos! E daquele pretê horrível que você agarrou, quando estava dançando possuída. Até que uma amiga te manda uma foto digital por e-mail!

E aí… você deleta.

Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso

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Sem lenço, sem diploma

19 06 2009

Como de conhecimento, essa semana o Supremo Tribunal Federal votou contra o diploma da profissão de jornalista. O Jornalística está de luto pela decisão do governo pela proibição de informação de qualidade para a sociedade, privando-nos da possibilidade de trabalhar profissionalmente na área. Logo mais, terá um texto meu sobre isso. Enquanto isso, leiam e reflitam nesse maravilhoso texto.

 

Sem lenço, sem diploma

Paulo Freire, o grande educador brasileiro que é praticamente desconhecido no Brasil, sempre foi enfático com relação à alfabetização. “Não basta saber ler, é preciso saber ler o mundo”. Queria dizer com isso que aprender era coisa que ia muito além da compreensão sobre como se juntavam as letras. Era necessário estar capacitado também para uma leitura crítica do mundo. E como é que se consegue isso? Não basta unicamente estudar, ler, ter acesso a múltiplas fontes de informação, múltiplos pontos de vista. É preciso fundamentalmente saber de onde se é. E o que isso quer dizer? Que a pessoa precisa ter bem claro o lugar que ocupa no mundo, o que, no mundo capitalista, nos leva a uma compreensão da nossa posição de classe.

A votação sobre a não exigência do diploma para a profissão de jornalista, que aconteceu no STF brasileiro, diz bem desta questão. Ali estavam os senhores togados, representantes da classe dominante. São homens nomeados pelos presidentes de plantão para defender os interesses dos que mandam. Nada mais que isso. Vez ou outra acontece uma decisão com base na lei, mas sempre é coisa pequena, que não mexe nas estruturas, porque como bem diz o professor Nildo Ouriques, da UFSC, a democracia liberal é um regime sem lei. Neste modo de governo, as leis são mudadas ao bel prazer da minoria que tem o comando.

Vejamos os argumentos do ministro Gilmar Mendes para que a profissão prescinda de uma formação universitária: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até a saúde e à vida dos consumidores. Logo, um jornalista não precisa de formação para fazer bom jornalismo.” Alguém entendeu?

Pois claro. Vamos supor que o que tivesse em questão fosse a necessidade de uma faculdade de Direito para que o juiz pudesse julgar a vida de outras pessoas. Poderíamos, qualquer um, argumentar o seguinte: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores. Logo um juiz não precisa de formação para ser um bom juiz. Basta que ele tenha um bom senso de justiça e estude muito. “Simples não?

Num país onde a maioria da população, desprovida do acesso à cultura e a educação, que se informa pela Globo, este simplório argumento representa uma vergonha. E nos causa profundo pesar ouvir isso de alguém que está acima de praticamente todos os habitantes da nação, o presidente do STF. É um argumento anti-intelectual, anti-cultural, anti-vida.

Minha mãe era uma grande cozinheira, mas sua comida divina nos era servida em casa, para a família. Não estava ela inserida no sistema de super-exploração capitalista, atuando numa empresa transnacional, na qual imperam os conceitos de competição, baixos salários e disputas intestinas. Não estava ela submetida a patrões, organogramas e metas de produtividade. Não estava também integrada num regime de divisão do trabalho aos moldes de garantir maiores lucros aos patrões. Logo, a decisão tomada nesta quarta-feira pelo STF foi uma decisão de classe.

A defesa intransigente dos donos de jornais e empresários da comunicação que querem apenas gente minimamente capacitada para ler, não para ler o mundo. Porque o ser crítico, desejado por Paulo Freire, é um indivíduo perigoso demais. Ele reclama, ele reivindica, ele luta e ele ensina. A elite brasileira não quer isso para o seu povo. Há que mantê-lo sempre atado ao cabresto da ignorância, ao entretenimento, a mais-valia ideológica promovida pelos meios de comunicação de massa. Dá-lhe Big Brother, a Fazenda e outros quetais.

Voltando aos tempos do início do capitalismo

Quando a Idade Média terminou, foi-se chegando um jeito de organizar a vida que mais tarde viria a ser chamado de capitalismo. É o supra-sumo da liberdade, dizem os seus defensores. Nele, o trabalhador tem escolhas. Como era naqueles dias em que as fábricas passaram a dominar a vida. O povo empobrecido dos burgos tinha como escolher: ou se submetia a trabalhar vinte horas em condições insalubres e de quase escravidão, ou estava morto. Grande escolha.

Agora, no mundo capitalista da mídia selvagem e cortesã estamos no mesmo patamar. Os profissionais não precisam de formação específica, só vocação. Depois, uma vez dentro da empresa terão escolhas. Ou se submetem a salários mais baixos, condições precárias, opressão, assédio moral e tudo o que vem de lambuja no processo de super-exploração, ou não entram nesta profissão tão simples quanto fritar um bife.

Bueno, e não é por acaso que o futuro esteja praticamente na mão da empresas de mídia, visto que hoje em dia a produção de informação é o xodó do planeta. Logo, aquilo que é a coisa mais importante para um povo, o conhecimento das coisas da vida, ficará entregue a sanha do capital. Aos trabalhadores restará a opção democrática: aceitar ou cair fora. Não precisa ser vidente para prever o futuro: profissionais capacitados serão substituídos por quem aceitar submeter-se a salários menores. Será o “lindo” mundo habermasiano do consenso. A livre negociação entre empresários e trabalhadores. O tubarão dialogando com a sardinha.


Alternativas

Quem acompanha a vida cotidiana dos jornalistas nos locais de trabalho sabe que as coisas vão piorar muito. Até agora ainda havia um mínimo de regulação, uma pequena fatia de direitos com a qual o sindicato podia mover-se. Era possível fazer a luta através da Justiça ou da delegacia do trabalho. Havia um amparo mínimo. Agora não há mais. Os trabalhadores estão entregues a sua sorte, porque até que se crie uma nova lei com algum tipo de regulamentação a vida seguirá seu curso inexorável.

Mas, como dizem os cubanos – acostumados a bloqueios e vicissitudes – às vezes o horror pode servir para o passo adiante. Nos últimos tempos estávamos entregues a um trabalho sindical burocratizado, limitado às ações na Justiça. Havia uma apatia dos trabalhadores frente às lutas, uma espécie de “deixa que o sindicato resolva”. E os sindicatos, esvaziados de vida, iam arrastando-se, ganhando uma coisinha aqui e outra ali, amansando o monstro.

Agora estamos no chão. Os empresários ganharam esta batalha. Desregulamentados totalmente, estamos entregues aos desejos dos patrões. Sem medidas compensatórias via Justiça só cabe uma ação: a luta mesma, renhida e dura. Voltarmos aos tempos em que os trabalhadores se reuniam nos sindicatos para conspirar e organizar batalhas contra o capital. Então, é chegada a hora. De volta às ruas, de volta à organização, de volta a vida! Foi só uma batalha…Outras virão.

Por isso, agora, estamos num momento de viragem. Ou inventamos ou morremos, como dizia Simón Rodrigues. Para novas liras, novas canções. Nada de soluções atrasadas como a do Conselho Federal de Jornalismo que só engessa e institucionaliza a luta. Nada temos a perder, apenas nossos corpos nus, como dizia Marcos Faermann. Só os trabalhadores unidos e organizados podem mudar o seu destino. Por isso, vamos à luta. Refazer os mapas, reorientar rumos, mas organizados no sindicato.
Os patrões talvez não tenham se dado conta, mas ao nos tirarem tudo podem estar criando “cuervos”. Nada mais perigoso que um homem sem esperança!

Elaine Tavares é jornalista.




A falta de iniciativa do Oriente Médio

14 06 2009

Leia o artigo do escritos Thomas L. Friedman na íntegra aqui, que também foi traduzido e inserido no jornal impresso do Estado de São Paulo.

Obama on Obama: a análise dos fatos

O artigo do escritor Thomas L. Friedman, que escreve no The New York Times, aborda o assunto sobre a visita do presidente norte-americano Barack Obama no Oriente Médio. O assunto se inicia com uma joke sobre um judeu que quer ganhar na loteria, mas não compra o bilhete. Esta, sem dúvidas, é uma metáfora do que acontece na realidade da região.

Em conversa com o Obama, ele explica sobre sua visita ao Cairo, capital do Egito, na qual pretende estabelecer uma posição para a diplomacia americana em relação aos países árabes. Os governantes desses paises tem que dar um passo à frente, que tomem iniciativa para realmente ajudar a população, resolver seus problemas e agir às claras, sem dizer uma coisa em público e proceder de outra forma em portas fechadas.

Em relação à questão da palestina, Obama diz que “há muitos países árabes que temem mais o Irã do que Israel”, pelo país estar desenvolvendo armas nucleares. Israel, além de não produzir nenhum benefício para seu povo, não adotou uma autoridade moral. Muito dos países árabes só usaram a demagogia na questão palestina, mas nenhuma se propôs disponibilizar verba para ajudar de fato.

Obama esclareceu que mesmo com a mensagem anti-americanismo do Irã, irá citar o combate ao terrorismo, implicando em mudar a mentalidade e os corações das pessoas por meio da verdade e do diálogo. Apesar de não puderem implicar uma mudança, os Estados Unidos estão dispostos à trabalhar em conjunto com seus líderes e receber o apoio de seu povo.

O pensamento anti americano entrou na cabeça da população do Oriente Médio, porém o conhecimento de Barack Obama pode gerar uma confusão na mente deles. O presidente fala como se conhecesse o povo, é parecido com eles e tem um nome semelhante muçulmano, mas é o líder dos líderes que prega a liberdade; na qual o povo não chega nem perto dela. Paira, então, uma dúvida que pode desconcertar a população oriental e não se sabe como isso vai terminar. DBR





Afinal, por que tanta crítica ao Crepúsculo?

4 06 2009
Capa do primeiro livro da saga Crepúsculo

Capa do primeiro livro da saga Crepúsculo

Assim que o filme Crepúsculo estreou no cinema, a febre da famosa história de amor entre um vampiro e uma humana do livro de Stephanie Meyer veio à tona com toda a força entre os corações adolescentes. Já tinha ouvido falar antes desse livro, mas nunca tive curiosidade de lê-lo.

Entretanto, algo me despertou a curiosidade. Costumava ir às bancas de jornais para ver as novidades culturais, e me deparei com várias críticas sobre o livro. Algumas diziam que não havia nada de literatura, era uma obra muito simples, sem elementos descritivos e que a história era uma alienação. Próximo à mim, ouvi duas mulheres mais maduras lendo e comentando sobre a mesma crítica na qual eu estava lendo. Resolvi prestar atenção no que eles estavam falando.

– Gostei muito dessa análise. Esse romancezinho me causa repúdio. Onde já se viu, minha filha queria ler esse livro. Até parece que eu vou deixar.

– A história não tem nada demais. Minha filha estava lendo, mas eu não tenho a mínima vontade de ler isso. Além de ser uma história sem conteúdo, é pra adolescentes.  

Adolescentes? Como eu podia falar mal de uma coisa sem ter ao menos lido sobre ela? Foi aí que despertou meu interesse de ler esse livro.

Quando finalmente li Crepúsculo, não resisti e vi o filme. Logo após, me deparei lendo a continuação da série, que é o livro Lua Nova e Eclipse. Meu interesse na série só foi aumentando. O resultado foi inesperado: tornei-me fã tanto da autora, quanto pela doçura do jeito que o livro foi interpretado pelo filme.

Era inevitável que a essa linda história de paixão proibida invadisse minha mente. O primeiro livro era um estilo mais simples, contando como foi a aproximação e a atração que o vampiro Edward Cullen, do segundo ano do Ensino Médio, instigava por Bella Swan, sua colega de classe nas aulas de biologia. Após correr muitos riscos de vida, Edward passa a maioria do princípio do filme salvando sua vida. Em meio à essa correria, Bella descobre várias características de que Edward era realmente um vampiro. Após a descoberta, se aproximaram e declararam-se, fazendo com que a trama seja simplesmente irresistível. Sem muito contato físico pois Edward tinha sede de seu sangue, os dois viviam um romance quase platônico.

A seqüência de Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse, mostraram o lado dramático do vampiro e da história, fazendo com que eu queira ainda ler mais. Após a leitura dos três livros em duas semanas, lembrei da crítica das mulheres na banca de jornais e não pude deixar de rir. A história não precisa ser adornada, mas prendeu minha atenção por ser uma abordagem nova, irresistível, doce e que transmite uma mensagem linda sobre um amor que parecia ser impossível.

Aos meus vinte anos, posso dizer que sou fã de Twilight e que é uma das mais bonitas histórias entre as quais eu já li. E que me perdoem os críticos, mas sem dúvida, essa memorável história conquistou milhares de pessoas.

Crônica escrita por: Daniele Rodrigues

Inspirada por todas as críticas que já ouvi, li ou presenciei sobre a obra.





Quem matou Che Guevara

3 06 2009

A execução de Che Guevara fez nascer um mito – essa foi a idéia central da obra de jornalismo literário investigativo de Saulo Gomes que levou anos até ser publicado, é composto por reportagens sobre a captura até os últimos dias do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, quando capturado na selva boliviana, região de La Higera. O considerado Co-autor do livro, o general do exército boliviano Gary Prado Salmón, respondeu a todas as perguntas do jornalista Saulo Gomes e foi essencial na busca da verdade dos fatos, esclarecendo o que foi escondido e revelando algumas informações de documentos sigilosos do exército boliviano.

O livro Quem matou Che Guevara- O seu delator estava no Brasil, aborda assuntos chaves dos últimos momentos até a captura de Che, incluindo as falhas cometidas pelos guerrilheiros ao tentar levar o comunismo até a Bolívia. Che Guevara nasceu em Rosário, na Argentina, e mesmo que tenha passado maior parte da vida em Cuba, ainda era considerado estrangeiro na guerrilha a favor do Comunismo. Nas entrelinhas das perguntas de Saulo, o general descrevia como era as condições em que eles viviam na selva e como alguns soldados e guerrilheiros eram mortos.

Fatos que são levados em consideração no contexto da guerrilha foram quando Saulo questionou Gary sobre o que levou a descoberta do paradeiro de Che. Além de ter sido delatado, os guerrilheiros faziam contato e confiavam na maioria dos camponeses que encontravam pelo caminho em busca de comida. Nesse contato com os camponeses, o exército ficava muitas vezes sabendo de seus passos. Outro ponto principal e inédito a respeito da morte de Che, foi sobre sua delação para o governo da Bolívia.

Juan Alex Aldunati, boliviano e um dos homens de Che, estava estudando Direito em São Paulo. Juan teria furtado ferramentas e a vítima o denunciou. Após um interrogatório, Juan disse que não tinha roubado, e sim, expropriado. O termo na época, bastante conhecido pelas ações da guerrilha, fez com que o Exército brasileiro desconfiasse e desta forma, levantaram a ficha de Juan. Foi então descoberto que ele fazia parte dos homens de Che e teve que contar onde eles estavam. O Exército brasileiro fez o trabalho da delação do paradeiro dos guerrilheiros, que estavam na região de La Higuera, facilitando a captura de Che.

De acordo com o que foi divulgado para a mídia logo após de anunciar a morte do guerrilheiro, que foi mentido e dito que Che Guevara morreu em combate, logo foi descoberto quando o médico e jornalista Reginaldo Arze foi fotografar e fazer uma matéria junto aos demais jornalistas. Ele apontou o corpo e mostrou a marca da bala no peito, na altura do coração. Como era médico, pôde sentir que o corpo do guerrilheiro estava morno, resultado de uma morte há poucas horas, e não quando o exército informou, que foi no dia anterior. A partir daí, a Bolívia não conseguiu esconder que assassinaram Che Guevara covardemente, no dia 09 de Outubro de 1967, na escola de Camiri às 13 horas.

Os dias da guerrilha também foram postos em destaque em trechos do diário do Che, atualmente já divulgado, mas que o general Salmón teve a oportunidade de ver de perto e relatos dos dias que anteciparam sua morte na selva boliviana, onde encontrou o fim de sua militância política.

Relatando esse importante fato na história da América Latina, da tentativa da levada do Comunismo e na inspiração de diferentes idéias socialistas, ajudou a sociedade entender o porquê do mito Che Guevara e sua influência em ideais que permanecem até hoje no contexto social.

Por: Daniele Rodrigues





Nova Estação Comunicações

15 05 2009

Eu e meus amigos estamos abrindo uma empresa júnior de Assessoria de Imprensa e Comunicação estratégica: a Nova Estação Comunicações.

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Análise sobre a Gestão de Crise TAM

2 05 2009

Graves erros da empresa aérea – Após uma grande tragédia, é natural que paire um sentimento de profunda emoção entre todos os envolvidos. Nesta hora, faz-se mais do que necessária a eficiência e racionalidade dos colaboradores e líderes para conduzir as informações sobre a crise. No caso da TAM, na qual o acidente no aeroporto de Congonhas foi de fácil acesso e pode ser mostrado em tempo real pelas mídias televisivas, jornais, informativos de urgência, rádios e mídia digital, o mundo pode acompanhar cada passo sobre o acidente. 

O pronunciamento tardio da empresa para a imprensa fez com que a mídia especulasse e tirassem suas próprias conclusões sobre a causa do acidente, tal como a lentidão das informações passadas às famílias como a lista das vítimas do acidente. Muitas famílias souberam que seus parentes estavam no vôo e para piorar, os nomes foram divulgados via rádio. Elas também passaram por constrangimentos e exposições públicas após o acidente, acomodando-se em hotéis onde equipes de TV cobriam as conseqüências da tragédia.

No dia seguinte do acidente, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, fez um discurso não confiável, considerado superficial e pouco transparente por familiares e especialistas em gestão de crise; informando que o avião estava em perfeitas condições. Porém, era de conhecimento da empresa que um dos reversores para a frenagem da aeronave estava na posição travada. Além disso, alguns dias depois um piloto da TAM foi autorizado pela empresa a divulgar que pousar no aeroporto internacional de Congonhas é arriscado em dias de chuva.

Essa divergência de informações mostra que a equipe é despreparada para enfrentar uma grave crise. O responsável pela gestão de crises estava no vôo 3054 e não havia ninguém para substituí-lo, deixando também sua família exposta. Algumas famílias foram contatadas pela TAM após o enterro do parente, mostrando a deficiência da empresa para o auxílio às famílias. A TAM afirma que a demora para entrar em contato com algumas famílias foi ocasionado devido à checagem dos documentos das vítimas.

Nessa gestão de crises, é inegável que as falhas com os familiares foram muitas. Não tinha equipe preparada para prestar assistência à eles, e o telefone do atendimento disponibilizado para eles só dava ocupado. Foi tardia também a divulgação da listagem das vítimas, além de ficarem expostos pela mídia e terem sua assistência somente após o enterro. Com isso, a empresa se contradisse em um de seus fundamentos, que era o diferencial no atendimento aos clientes.

A deficiência em lidar e administrar crises pode fazer com que a empresa perca a credibilidade da marca e os prejuízos com a imagem podem ser irreparáveis, pois ainda há dúvidas sobre a culpa da empresa na causa do acidente e nos cuidados com a aeronave. Para a opinião pública, um ponto onde pode ser abalado é que o quesito “segurança para os clientes” está em terceiro lugar em suas fundamentações, sendo que o primeiro lugar foi para o lucro.

A equipe da gestão de crise da TAM só chegou a tomar atitudes 10 horas após o início da tragédia. Através das reclamações de demora para a tomada de atitudes, amparo às famílias, informações divergentes pelos colaboradores da empresa e até mesmo pronunciamentos suspeitos, a gestão de crise da TAM foi coberta de equívocos. Há 11 anos com a queda do Fokker 100 da TAM próximo ao local, a empresa ainda não possuía uma administração de crises, mas logo depois providenciou uma equipe para caso ocorresse novamente.

A informação de mais de uma década voltou à tona, diferindo com a atitude que teria que ter sido tomada pela empresa aérea na tragédia de 2007. O que foi visto foi a repetição do despreparo da assessoria de imprensa em relação à tomada de procedimentos de urgência.

Por: Daniele Rodrigues
Erros da assessoria de imprensa da empresa aérea TAM, análise da gestão de crise sobre o acidente no aeroporto de Congonhas- SP.