Portas de entrada para o Jornalismo Ambiental

28 03 2010

Estudantes devem ter a transversalidade na opinião para conseguir um trabalho ou estágio na área

Daniele Rodrigues

Com o aumento das chamadas mídias especializadas, o curso de Jornalismo ganhou maiores abrangências técnicas e de conhecimento para ser passados aos leitores. Além disso, altera-se a função desses veículos midiáticos, promovendo mais a iniciação de temas científicos, a educação, a informação, e a integração do meio ambiente diretamente na vida das pessoas. Com isso, os estudantes do curso de Jornalismo de diferentes Universidades, possuem mais opções para escolher o que pretende seguir

Na Envolverde, uma agência de notícias socioambientais localizada em São Paulo, a maior parte do trabalho é realizada pelos freelancers. Para o editor da Envolverde há dois anos, Wilson Bispo, para entrar num veículo de comunicação ambiental, é necessário ter um abrangente conhecimento e preparação em geral, no ponto de vista cultural e específico. Ele também aponta que é necessário ter um instrumento técnico de linguagem, boa interpretação de texto e não ter um pensamento único. O jornalista ambiental precisa se preparar na temática do que está acontecendo no mundo. A preparação é a partir das informações que o estudante vai absorvendo ao longo do processo de aprendizagem.

A questão da transversalidade

A concepção de meio ambiente se modificou muito nos últimos anos. A diversidade de temas para se abordar o jornalismo ambiental vai além de cobrir notícias sobre a fauna e flora, pois fala-se do meio ambiente urbano e no trabalho.

A transversalidade da opinião é um dos requisitos fundamentais para trabalhar com o jornalismo ambiental, em que a abordagem ambiental é analisada de modo a atingir diretamente a vida das pessoas. O foco atual é abranger o social de vários assuntos diferentes, como por exemplo, analisar o lado social das editorias de economia, esporte, cultura, e todas as que dispõem de informações relevantes para a vida das pessoas.

De acordo com Wilson, se a abordagem for sobre informática, o jornalista pode analisar socialmente quem são os que fabricam e montam as peças, as condições de trabalho e tudo o que tem relação ao trabalho, afinal, cada editoria tem o seu lado socioambiental. Contudo, o jornalista sempre tem a necessidade de contatar boas fontes, que estão nos bons veículos de comunicação.

Especialização em Jornalismo Ambiental

O Instituto Envolverde promove congressos, fóruns e encontros socioambientais ao longo do seu trabalho, abrindo também, espaço para os que se interessam, ter o contato mais próximo possível com as pessoas que participam e que trabalham como freelancers da revista. Nesses eventos, Wilson ressalta que também é muito difícil fazer a cobertura por sempre estarem participando as mesmas pessoas, e às vezes, não tem novidade. É interessante para o estudante que tenha maior contato com tais pessoas que já são da área, para que futuramente ele possa ser indicado.

Porém, especializar-se em jornalismo ambiental não é um dos grandes requisitos para o estudante procurar, já que a vivência na área, a observação do mundo e a busca pelo tema podem contribuir bem mais. Os cursos tem por objetivo buscar o público que tem muito pouco contato com essa temática e querem trabalhar como comunicador da área. O curso mostra a importância do tema quando é um procedimento de trabalho específico da agência.

Entretanto, a especialização pode ser buscada nos entrevistados, para saber quais são as principais pessoas que possuem a autoridade para falar sobre o assunto.

A grande procura e o futuro da área

Na Envolvede, a procura dos alunos pela área tem sido grande, pois grande parte dos que procuram os veículos de comunicação, tem a visão socioambiental e já aprendem dentro da Universidade. A integração dos temas faz com que o aluno tenha a visão crítica do social e do antropológico.

Segundo Wilson, o futuro para o jornalista ambiental depende em qual diretriz o mercado vai crescer. A atual dificuldade dos veículos segmentados se manterem é financeiramente, pois são muito dependentes de patrocinadores, da publicidade. A maioria dos veículos foram para um nicho mais fechado, como por exemplo, abordando somente os assuntos de energia e clima.

Por enquanto, deve-se pensar que a cobertura seja melhor qualificada, para que se tenha o pensamento socioambiental sobre todas as pautas que forem cobertas.