O último discurso

25 03 2011

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin

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As lembranças guardadas nos chips

9 07 2009

Remexendo em minhas matérias dos vestibulares e ensino médio, encontrei um texto um pouco antigo que saiu na Folhateen, mas que cabe ainda para os dias atuais. Reflita.

Um mundo sem memórias

Estamos correndo um grande perigo. Vamos virar uma geração sem memória. Pense bem. Qual foi a última vez que você revelou uma foto? Que ficou arrumando um álbum de fotografia? Que leu uma carta de amor? Quem é que vai se lembrar, no mundo digital, do que aconteceu na semana passada? Nossas memórias estão perdidas entre milhares de pixels e posts simplórios.

Hoje, quando uma foto fica ruim, você deleta. Ou seja, você não tem mais fotos ruins, aquela em que você estava com uma papada ou com um olhar de quem não sabia o que fazer.

A partir desta nova era, quase todas as fotos mostrarão os melhores momentos da humanidade. Mesmo que você esteja chorando, vai ser um choro incrível que você acha que deve ser guardado para a posteridade e publicado num fotolog.

Aquela foto que mostrava que você realmente era uma miserável irá parar no “deleted itens” com todas as suas imperfeições. Você não irá ocupar o seu cartão de memória com isso!

Fotos podem ser rasgadas, mas raramente fazemos isso. Preferimos escondê-las, e com o único objetivo, que elas sejam reencontradas em algum momento. Nuna mais vamos poder ficar rindo das poses horríveis que fizemos.

O mundo ficou mais sem graça.

Sim, o furor tecnológico nos leva a expor nossas vidas em blogs e scraps. Mas são nossas vidas cuidadosamente editadas por nós, protagonistas narcisistas. Não temos mais cartas de amor. Sim, existem os e-mails. Mas um dia seu computador dará pau e eles estarão perdidos. Adeus caixas com nossas memórias e bilhetes amassados.

Na época das cartas, você podia relê-las e se lembrar daquele pé na bunda que tomou. Sim, você pode guardar suas histórias de amor e desilusão num chip. Mas não vai ter aquele papel com escrita borrada porque você leu chorando.

O mundo ficou menos triste.

Isso sem falar dos aditivos das baladas, que fazem com que as pessoas façam de tudo e esqueçam tudo.

E naquele dia que você tomou umas a mais e esqueceu os acontecimentos da noite anterior? Bom, aí você pode esquecer os micos! E daquele pretê horrível que você agarrou, quando estava dançando possuída. Até que uma amiga te manda uma foto digital por e-mail!

E aí… você deleta.

Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso





Afinal, por que tanta crítica ao Crepúsculo?

4 06 2009
Capa do primeiro livro da saga Crepúsculo

Capa do primeiro livro da saga Crepúsculo

Assim que o filme Crepúsculo estreou no cinema, a febre da famosa história de amor entre um vampiro e uma humana do livro de Stephanie Meyer veio à tona com toda a força entre os corações adolescentes. Já tinha ouvido falar antes desse livro, mas nunca tive curiosidade de lê-lo.

Entretanto, algo me despertou a curiosidade. Costumava ir às bancas de jornais para ver as novidades culturais, e me deparei com várias críticas sobre o livro. Algumas diziam que não havia nada de literatura, era uma obra muito simples, sem elementos descritivos e que a história era uma alienação. Próximo à mim, ouvi duas mulheres mais maduras lendo e comentando sobre a mesma crítica na qual eu estava lendo. Resolvi prestar atenção no que eles estavam falando.

– Gostei muito dessa análise. Esse romancezinho me causa repúdio. Onde já se viu, minha filha queria ler esse livro. Até parece que eu vou deixar.

– A história não tem nada demais. Minha filha estava lendo, mas eu não tenho a mínima vontade de ler isso. Além de ser uma história sem conteúdo, é pra adolescentes.  

Adolescentes? Como eu podia falar mal de uma coisa sem ter ao menos lido sobre ela? Foi aí que despertou meu interesse de ler esse livro.

Quando finalmente li Crepúsculo, não resisti e vi o filme. Logo após, me deparei lendo a continuação da série, que é o livro Lua Nova e Eclipse. Meu interesse na série só foi aumentando. O resultado foi inesperado: tornei-me fã tanto da autora, quanto pela doçura do jeito que o livro foi interpretado pelo filme.

Era inevitável que a essa linda história de paixão proibida invadisse minha mente. O primeiro livro era um estilo mais simples, contando como foi a aproximação e a atração que o vampiro Edward Cullen, do segundo ano do Ensino Médio, instigava por Bella Swan, sua colega de classe nas aulas de biologia. Após correr muitos riscos de vida, Edward passa a maioria do princípio do filme salvando sua vida. Em meio à essa correria, Bella descobre várias características de que Edward era realmente um vampiro. Após a descoberta, se aproximaram e declararam-se, fazendo com que a trama seja simplesmente irresistível. Sem muito contato físico pois Edward tinha sede de seu sangue, os dois viviam um romance quase platônico.

A seqüência de Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse, mostraram o lado dramático do vampiro e da história, fazendo com que eu queira ainda ler mais. Após a leitura dos três livros em duas semanas, lembrei da crítica das mulheres na banca de jornais e não pude deixar de rir. A história não precisa ser adornada, mas prendeu minha atenção por ser uma abordagem nova, irresistível, doce e que transmite uma mensagem linda sobre um amor que parecia ser impossível.

Aos meus vinte anos, posso dizer que sou fã de Twilight e que é uma das mais bonitas histórias entre as quais eu já li. E que me perdoem os críticos, mas sem dúvida, essa memorável história conquistou milhares de pessoas.

Crônica escrita por: Daniele Rodrigues

Inspirada por todas as críticas que já ouvi, li ou presenciei sobre a obra.





Quem matou Che Guevara

3 06 2009

A execução de Che Guevara fez nascer um mito – essa foi a idéia central da obra de jornalismo literário investigativo de Saulo Gomes que levou anos até ser publicado, é composto por reportagens sobre a captura até os últimos dias do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, quando capturado na selva boliviana, região de La Higera. O considerado Co-autor do livro, o general do exército boliviano Gary Prado Salmón, respondeu a todas as perguntas do jornalista Saulo Gomes e foi essencial na busca da verdade dos fatos, esclarecendo o que foi escondido e revelando algumas informações de documentos sigilosos do exército boliviano.

O livro Quem matou Che Guevara- O seu delator estava no Brasil, aborda assuntos chaves dos últimos momentos até a captura de Che, incluindo as falhas cometidas pelos guerrilheiros ao tentar levar o comunismo até a Bolívia. Che Guevara nasceu em Rosário, na Argentina, e mesmo que tenha passado maior parte da vida em Cuba, ainda era considerado estrangeiro na guerrilha a favor do Comunismo. Nas entrelinhas das perguntas de Saulo, o general descrevia como era as condições em que eles viviam na selva e como alguns soldados e guerrilheiros eram mortos.

Fatos que são levados em consideração no contexto da guerrilha foram quando Saulo questionou Gary sobre o que levou a descoberta do paradeiro de Che. Além de ter sido delatado, os guerrilheiros faziam contato e confiavam na maioria dos camponeses que encontravam pelo caminho em busca de comida. Nesse contato com os camponeses, o exército ficava muitas vezes sabendo de seus passos. Outro ponto principal e inédito a respeito da morte de Che, foi sobre sua delação para o governo da Bolívia.

Juan Alex Aldunati, boliviano e um dos homens de Che, estava estudando Direito em São Paulo. Juan teria furtado ferramentas e a vítima o denunciou. Após um interrogatório, Juan disse que não tinha roubado, e sim, expropriado. O termo na época, bastante conhecido pelas ações da guerrilha, fez com que o Exército brasileiro desconfiasse e desta forma, levantaram a ficha de Juan. Foi então descoberto que ele fazia parte dos homens de Che e teve que contar onde eles estavam. O Exército brasileiro fez o trabalho da delação do paradeiro dos guerrilheiros, que estavam na região de La Higuera, facilitando a captura de Che.

De acordo com o que foi divulgado para a mídia logo após de anunciar a morte do guerrilheiro, que foi mentido e dito que Che Guevara morreu em combate, logo foi descoberto quando o médico e jornalista Reginaldo Arze foi fotografar e fazer uma matéria junto aos demais jornalistas. Ele apontou o corpo e mostrou a marca da bala no peito, na altura do coração. Como era médico, pôde sentir que o corpo do guerrilheiro estava morno, resultado de uma morte há poucas horas, e não quando o exército informou, que foi no dia anterior. A partir daí, a Bolívia não conseguiu esconder que assassinaram Che Guevara covardemente, no dia 09 de Outubro de 1967, na escola de Camiri às 13 horas.

Os dias da guerrilha também foram postos em destaque em trechos do diário do Che, atualmente já divulgado, mas que o general Salmón teve a oportunidade de ver de perto e relatos dos dias que anteciparam sua morte na selva boliviana, onde encontrou o fim de sua militância política.

Relatando esse importante fato na história da América Latina, da tentativa da levada do Comunismo e na inspiração de diferentes idéias socialistas, ajudou a sociedade entender o porquê do mito Che Guevara e sua influência em ideais que permanecem até hoje no contexto social.

Por: Daniele Rodrigues